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Drones revelam emissões inesperadamente elevadas nas estações de tratamento de águas residuais

Investigadores da Universidade de Linköping descobriram que as emissões de gases com efeito de estufa provenientes de muitas estações de tratamento de águas residuais podem ser mais do que o dobro do que se pensava até agora.

Através da utilização de drones equipados com sensores especialmente desenvolvidos, a equipa liderada por Magnus Gålfalk, docente no departamento Tema M – Alterações Ambientais da Universidade de Linköping (Suécia), mediu as emissões de metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) em doze estações de tratamento suecas. Os resultados foram publicados na revista científica Environmental Science & Technology.

“Mostrámos que certas emissões de gases com efeito de estufa das estações de tratamento eram desconhecidas. Agora que as conseguimos medir, também percebemos melhor como as podemos reduzir”, explica Magnus Gålfalk.

Modelos de estimativa subavaliam emissões reais

De acordo com o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), as estações de tratamento de águas residuais que recebem esgotos domésticos e industriais representam cerca de 5% das emissões humanas de metano e óxido nitroso.
Estas estimativas são baseadas em “fatores de emissão” — cálculos teóricos ligados ao número de habitantes servidos pelas estações — e não em medições reais.

Este método, segundo os investigadores, pode ser enganador:

“Mesmo que uma autarquia invista em tecnologias para reduzir emissões, o modelo do IPCC continua a indicar o mesmo nível, porque não reflete as melhorias reais”, salienta Gålfalk.
“Seria preferível que as emissões reportadas se baseassem em medições diretas, o que permitiria demonstrar de forma transparente os efeitos das medidas adotadas.”

Emissões 2,5 vezes superiores ao estimado

Os drones mediram as emissões nas diferentes fases do processo de tratamento e revelaram valores cerca de 2,5 vezes superiores aos calculados pelos modelos internacionais.
Grande parte do metano libertava-se após a digestão anaeróbica, durante o armazenamento do lodo, etapa em que este é deixado a repousar para eliminar microrganismos potencialmente nocivos antes de ser utilizado como fertilizante.

Além disso, os investigadores encontraram emissões significativas de óxido nitroso, um gás menos conhecido mas com um potencial de aquecimento global quase 300 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO₂).

“Mostrámos que o impacto climático do óxido nitroso libertado durante o armazenamento do lodo é tão elevado quanto o do metano. Isto é algo que até agora não era conhecido e que constitui uma nova fonte de emissões a monitorizar com atenção”, conclui Gålfalk.

Implicações para políticas ambientais

O estudo vem sublinhar a necessidade de monitorização real e contínua das emissões nas infraestruturas urbanas de saneamento.
Ao revelar emissões ocultas, os investigadores esperam que as autoridades locais e os decisores políticos possam ajustar estratégias de mitigação e investir de forma mais eficaz na redução do impacto climático das águas residuais.

Fonte: Universidade de Linköping
Publicação: Environmental Science & Technology
Créditos da imagem: Magnus Gålfalk

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