Investigadores australianos e internacionais descobriram que as atividades humanas têm vindo a alterar profundamente a composição das comunidades de mamíferos em todo o mundo desde o início da agricultura, há cerca de 10 mil anos.
Uma nova investigação publicada na revista Biology Letters, da Royal Society, mostra que os padrões naturais de distribuição dos mamíferos – fortemente influenciados pelo clima e pela geografia durante a Idade do Gelo – começaram a ser profundamente modificados com o advento da agricultura e a domesticação de animais, no início do Holoceno.
Analisando fósseis de centenas de sítios arqueológicos e paleontológicos com até 50 mil anos, os investigadores descobriram que, antes do aparecimento da agricultura, as comunidades de mamíferos seguiam padrões bem definidos, próprios de cada continente. No entanto, esses padrões começaram a ser “baralhados” à medida que os humanos começaram a transportar consigo um pequeno número de espécies domésticas — como bovinos, ovinos e caprinos — para novas regiões.
“O que observámos é uma ligação surpreendente entre sítios arqueológicos separados por milhares de quilómetros, unida pela presença dos mesmos animais domesticados”, explicam os autores do estudo. Em contraste, muitas espécies selvagens desapareceram gradualmente dessas regiões, sinal de um impacto humano crescente nos ecossistemas.
Para chegar a estas conclusões, os cientistas desenvolveram um novo método de análise computacional que permite agrupar comunidades faunísticas com base na presença e ausência de diferentes espécies ao longo do tempo.
O estudo mostra que, já no início do Holoceno, o ser humano se tornou uma força ecológica global — com práticas como a agricultura e a caça a contribuírem decisivamente para a reorganização dos ecossistemas.
Este fenómeno histórico continua a ter consequências diretas nos dias de hoje, influenciando a forma como se pensam estratégias de conservação da biodiversidade. Para os investigadores, compreender estas alterações de longa duração é essencial para proteger melhor os ecossistemas ainda existentes.


