Apenas uma em cada quatro raias de águas profundas capturadas acidentalmente durante a pesca sobrevive após ser devolvida ao mar, revela uma nova investigação australiana publicada na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.
As raias de profundidade são frequentemente apanhadas como captura acessória nas pescas do Oceano Antártico, especialmente durante campanhas de pesca ao peixe-espada-do-Atlântico (também conhecido como peixe-luz ou Patagonian toothfish). Embora geralmente sejam libertadas de volta ao mar se aparentarem estar ilesas, as suas hipóteses reais de sobrevivência após a libertação permaneciam até agora pouco claras.
No âmbito deste estudo, investigadores equiparam 24 raias capturadas a profundidades entre os 1200 e os 1700 metros com etiquetas satélite especiais (conhecidas como “popup archival satellite tags”), que permitiram monitorizar o seu comportamento e destino durante 30 dias após a libertação.
Os resultados foram alarmantes: apenas 26% dos indivíduos sobreviveram ao período de monitorização. A análise revelou ainda uma correlação entre a profundidade de captura e a probabilidade de sobrevivência — quanto mais profunda a captura, menor a taxa de sobrevivência observada.
Estes dados sugerem que a mortalidade das raias apanhadas a grande profundidade pode estar a ser significativamente subestimada. Os autores do estudo alertam para a necessidade urgente de rever as estratégias de gestão de capturas acessórias nestas pescas, de forma a minimizar o impacto sobre espécies vulneráveis dos ecossistemas de profundidade.


