As ruínas têm pelo menos 5 mil anos e deve ter sido erguida pela civilização Caral, contemporânea dos mesopotâmicos
A 200 quilómetros a norte de Lima, capital do Peru, mais propriamente no Vale de Supe, província de Barranca, uma equipa de arqueólogos descobriu uma nova construção, uma pirâmide desconhecida e pode ser mais antiga do que as pirâmides do Egito.
Os trabalhos que levaram às ruínas de construção acontecem em Chupacigarro, assentamento urbano a 1 km da cidade Sagrada de Caral, considerada património Mundial pela Unesco e o berço da civilização mais antiga da América, com cerca de 5 mil anos, explicou em comunicado o Ministério da Cultura do Peru.

Ainda há muito trabalho a ser feito para descobrir e restaurar a pirâmide ( Ministério da Cultura do Peru )
A civilização Caral surgiu e floresceu na região do Vale Supe, entre 3000 a.C e 1800 a.C. Foi das primeiras civilizações a surgir. Não são tão antigos quanto os Sumérios, da Mesopotâmia, mas os historiadores conseguem chegar até eles 3000 a.C, ou seja, antes de Kufu erguer a Grande Pirâmide em Gizé, por volta de 2550 a.C.
O Vale Supe era uma região estratégica, devido à sua proximidade com o vale inferior e o litoral, onde os seus habitantes podiam obter produtos do mar. Além disso, tinham ainda acesso a florestas, áreas ribeirinhas, pedreiras e campos agrícolas. É considerada contemporânea de outras civilizações, como as da Mesopotâmia, sendo a primeira a estabelecer um grau de desenvolvimento urbano e social avançado na América.
Atualmente, o vale de Supe é um lugar seco e cheio de pó, uma paisagem árida com plantações invasoras de abacate e manga que consomem a maior parte da água disponível. Para o povo de Caral, no entanto, deve ter sido um paraíso, um vale escondido recheado de vegetação exuberante entre os desertos da costa peruana.
A boa notícia é que estas condições áridas, no entanto, ajudaram a preservar itens perecíveis que, de outra forma, teriam apodrecido num ambiente mais húmido. Ainda há evidências em Caral dos sacos de junco usados para transportar pedras usadas na construção dos templos no local, assim como foram encontradas flautas de osso com milhares de anos
Nas ruínas desta nova pirâmide, encontraram três plataformas sobrepostas, um muro e escadarias, que levam ao topo da estrutura, que segundo o comunicado do governo peruano, estavam cobertas por arbustos secos e vegetação. “Nos muros, há grandes pedras posicionadas verticalmente, chamadas huancas que marcam os cantos do edifício quadrangular, além de uma escadaria central que permitia o acesso ao topo”.

Escadaria central permitia o acesso ao topo da construção (Imagem: Zona Arqueológica Caral)
No mesmo local, os investigadores descobriram ainda 12 estruturas dispersas que podem ser públicas ou de cerimoniais, situadas no topo de pequenas colinas ao redor de um espaço central, que levam a crer que ali existia uma pequena cidade que ocupou uma área de 385,9 mil metros quadrados.
Há um edifício que se destaca por estar ao centro e tem escadarias, alinhadas por grandes monólitos, estruturas que simbolizam o poder e a espiritualidade. No entanto, os especialistas indicam que os edifícios variam em tamanho, orientação e características, aparentemente por razões funcionais. Na periferia, foi identificada uma arquitetura residencial, com pequenos edifícios organizados ao redor de uma estrutura principal que possui uma praça circular rebaixada, típica desse período histórico.

Descoberta pode indicar presença de centro urbano antigo na mesma região (Imagem: Zona Arqueológica Caral)
Além da estrutura piramidal, os arqueólogos encontraram nas escavações um geoglifo (desenho feito no solo) de 62 metros de altura e 30 de largura, que mostra uma cabeça de perfil no estilo pré-hispânico do norte, de Sechín,. Desenhado com pedras angulares, o rosto gigante está voltado para leste, tem os olhos fechados, a boca aberta e os cabelos esculpidos como se estivessem ao vento, porém, este só pode ser visto de um determinado ângulo.

A pirâmide recém-descoberta no Setor F do assentamento Chupacigarro, nos arredores da cidade sagrada de Caral-Supe. Fonte: Ministério da Cultura do Peru


