Investigadores da Universidade de Michigan estudaram durante nove anos o impacto do azoto e do fósforo nas pradarias marinhas das Bahamas. Os resultados mostram que estas plantas costeiras podem ser poderosos aliados no combate às alterações climáticas, mas também muito vulneráveis à poluição provocada pelo ser humano.
As pradarias marinhas, formações de ervas que crescem em águas costeiras pouco profundas, são apontadas como um dos ecossistemas mais eficazes do planeta na captura e armazenamento de carbono. Funcionam como verdadeiras “esponjas de carbono”, fixando o CO₂ tanto nos caules e folhas como, sobretudo, nas raízes e nos sedimentos.
Mas será que a poluição por nutrientes – sobretudo azoto e fósforo – ajuda ou prejudica esta função essencial? Para responder a esta questão, uma equipa da Universidade de Michigan conduziu duas investigações em pradarias marinhas na Baía de Exuma, nas Bahamas. Os trabalhos, agora publicados nas revistas Global Change Biology e Conservation Letters, revelam uma realidade complexa: em ambientes pobres em nutrientes, o aporte extra pode estimular o crescimento das ervas e aumentar o sequestro de carbono. Contudo, quando os níveis de azoto disparam, o efeito pode ser devastador, ao favorecer a proliferação de fitoplâncton que bloqueia a luz solar e acaba por sufocar as pradarias.
“Pensava-se que o excesso de nutrientes matava sempre as ervas marinhas. O que mostramos é que, desde que não haja nutrientes em excesso a promover o crescimento descontrolado de fitoplâncton, as plantas até beneficiam de algum enriquecimento”, explica Jacob Allgeier, professor de ecologia e biologia evolutiva e coautor dos estudos.
Fósforo para as ervas, azoto para o fitoplâncton
A investigadora principal, Bridget Shayka, atualmente na organização Ocean Visions, sublinha que os ecossistemas tropicais costeiros são geralmente pobres em nutrientes. Nessas condições, o fósforo revelou ter um efeito especialmente positivo no crescimento das pradarias marinhas, enquanto o azoto estimulou sobretudo o desenvolvimento do fitoplâncton.
Nos ensaios de campo, os investigadores criaram 21 combinações diferentes de fósforo e azoto, enriquecendo parcelas de pradarias marinhas e também amostras de fitoplâncton em laboratório. A conclusão foi clara: a gestão dos nutrientes não deve centrar-se apenas nas proporções entre eles – como defende a teoria ecológica clássica – mas sim no controlo específico do azoto, o principal responsável por desencadear blooms de fitoplâncton.
Uma arma contra as alterações climáticas em risco
Ao longo dos nove anos de experiência, a equipa observou que as ervas marinhas, quando fertilizadas de forma moderada, investiam primeiro no crescimento das raízes, onde armazenavam carbono, e só depois nas folhas submersas. Curiosamente, as raízes cresciam e morriam rapidamente, transferindo carbono para os sedimentos – um processo que aumenta o sequestro de carbono a longo prazo.
Contudo, os mesmos investigadores viram também como, em baías sobrecarregadas com nutrientes provenientes de esgotos humanos, as pradarias marinhas morriam em pouco tempo. A água turva, saturada de fitoplâncton, não deixava passar luz suficiente para a fotossíntese das plantas.
“Não vamos conseguir parar o enriquecimento em nutrientes, mas podemos geri-lo”, afirma Allgeier. “A melhor forma é reduzir o azoto.”
Estes resultados reforçam a importância de proteger as pradarias marinhas, que além de armazenarem carbono, fornecem abrigo e alimento a inúmeras espécies marinhas e protegem as costas da erosão. Num mundo em que cada tonelada de CO₂ conta, estas pradarias subaquáticas poderão ser um trunfo decisivo – desde que não sejam sufocadas pela poluição humana.


