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O que se esconde nas profundezas mais escuras do oceano, onde não há luz solar?

Num feito extraordinário que desafia os limites do que se pensava possível, uma equipa internacional de cientistas descobriu comunidades de vida marinha a mais de 9.500 metros de profundidade nas fossas oceânicas do noroeste do Oceano Pacífico. Tubos e moluscos que não dependem da luz solar para sobreviver foram encontrados a prosperar em alguns dos ambientes mais extremos e inóspitos do planeta, revelando a impressionante capacidade da vida para se adaptar — mesmo nas sombras mais profundas do oceano.

A investigação, publicada na prestigiada revista Nature, decorreu a bordo de um submersível tripulado, que percorreu mais de 2.500 quilómetros ao longo das Fossas de Kuril–Kamchatka e das Aleutas. Durante a missão, os investigadores desceram a profundidades entre os 5.800 e os 9.533 metros — uma zona conhecida como o “hadal”, uma das regiões menos exploradas e mais inóspitas do fundo oceânico.

Mas foi precisamente aí que encontraram sinais claros de vida. Não se tratava de seres que vivem à custa da fotossíntese, como grande parte da vida na Terra, mas sim de criaturas que recorrem a uma forma alternativa de produção de energia: a quimiossíntese.

Os protagonistas desta descoberta são vermes tubícolas do grupo dos poliquetas siboglinídeos e bivalves, como amêijoas e mexilhões, que obtêm energia a partir de reações químicas com gases como o sulfureto de hidrogénio e o metano, libertados através de fendas nas placas tectónicas. Estas substâncias provêm de processos microbianos que ocorrem nos sedimentos ricos em matéria orgânica.

«Estes organismos não precisam de sol para viver — alimentam-se de química pura. É uma forma de vida que, até há poucas décadas, seria considerada impensável», referem os autores do estudo, Xiaotong Peng, Mengran Du e Vladimir Mordukhovich.

A descoberta levanta novas questões sobre a distribuição da vida nos oceanos e sobre os limites das condições ambientais em que esta pode subsistir. Os cientistas acreditam agora que estas comunidades quimiossintéticas podem ser muito mais comuns do que se pensava, mesmo nos cantos mais remotos do planeta.

Mais do que um avanço científico, esta missão reforça uma mensagem essencial: a vida é tenaz, criativa e surpreendente. Mesmo sob pressões esmagadoras, sem luz, e com temperaturas extremas, a natureza encontra formas de persistir. Esta descoberta não só amplia o nosso conhecimento sobre os oceanos da Terra, como também reacende o debate sobre a possibilidade de vida em ambientes extremos fora do nosso planeta — como nos oceanos subterrâneos de luas como Europa ou Encélado.

Em cada quilómetro submerso, os investigadores desvendam novas páginas da história da vida. E se há uma lição que estas descobertas nos deixam, é que a vida, mesmo nas profundezas mais sombrias, encontra sempre um caminho.

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