A Igreja Católica deu um passo importante no compromisso com a proteção do meio ambiente. Foi apresentada, no Vaticano, uma nova celebração litúrgica chamada Missa “pela custódia da criação”, que poderá ser usada por padres e comunidades em todo o mundo, diz um comunicado do Vaticano.
A nova Missa faz parte do Missal Romano (o livro oficial das celebrações) e foi pensada como resposta concreta à encíclica Laudato si’, escrita pelo Papa Francisco em 2015, que fala sobre o cuidado da “casa comum” — o planeta em que vivemos.
Porquê uma Missa pelo planeta?
O Cardeal Michael Czerny, responsável por temas sociais no Vaticano, explicou que esta Missa quer ajudar os fiéis a rezar e a tomar consciência da ligação entre a fé e o cuidado com a natureza.
“Esta Missa é motivo de alegria. Aumenta a nossa gratidão, fortalece a nossa fé e convida-nos a responder com cuidado e amor”, disse o cardeal citado no mesmo comunicado.
Ele lembrou ainda que a criação já está presente em todas as Missas, quando damos graças a Deus pelos dons da terra — o pão, o vinho, a água — que vêm da natureza e do trabalho humano. Mas esta nova Missa chama a atenção de forma especial para a nossa responsabilidade de proteger a criação.
Como será esta Missa? O que a torna especial?
A nova Missa pela custódia da criação segue a estrutura normal de qualquer Missa — com leituras bíblicas, orações, apresentação dos dons, consagração e comunhão — mas traz orações e leituras específicas que falam diretamente do cuidado com a natureza e da presença de Deus na criação.
Veja algumas das diferenças e novidades:
- Antífona de entrada (frase que inicia a celebração): “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Salmo 18,2).
- Oração coleta (oração do início):
Reflete a beleza da criação, o papel de Cristo como “primogénito de toda a criação”, e o dever do ser humano de cuidar da obra de Deus. - Leituras bíblicas especiais:
Podem incluir:- O Evangelho de Mateus sobre os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,24-34), que nos convida à confiança e à simplicidade.
- O Evangelho de Jesus a acalmar a tempestade no mar (Mt 8,23-27), mostrando o seu domínio sobre a natureza.
- Leituras do Antigo Testamento que exaltam a beleza do mundo criado.
- Oração sobre as oferendas:
Destaca que os dons do pão e do vinho são frutos da terra e do trabalho do homem, e convida a olhar para eles com reverência, como sinais da criação de Deus. - Comunhão:
A antífona proclama: “Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus” (Salmo 97,3), recordando que a salvação é para toda a criação. - Oração final:
Inspirada na Laudato si’, fala da necessidade de restabelecer três relações fundamentais: com Deus, com o próximo e com a terra. Rezar esta Missa é pedir a reconciliação com tudo o que nos rodeia.
Mais do que uma Missa: um compromisso
O Arcebispo Vittorio Francesco Viola, responsável pelas questões litúrgicas, explicou que esta Missa ajuda a evitar uma visão “superficial da ecologia”, oferecendo uma reflexão espiritual profunda sobre a nossa ligação ao mundo natural.
“A comunhão com Deus, com o próximo e com a terra é alimentada pela Eucaristia, que é o sacramento da unidade”, afirmou.
Esta Missa quer transformar o nosso olhar sobre a criação. Chama-nos a viver de forma mais simples, mais agradecida, mais cuidadosa — com pequenos gestos diários e com grandes decisões coletivas.
Primeira celebração com o Papa
O Papa Leão XIV celebrará esta nova Missa pela primeira vez na próxima semana no Borgo Laudato si’, em Castel Gandolfo — um espaço dedicado à ecologia integral e à espiritualidade.
A nova Missa pode ser celebrada em ocasiões especiais, como o Tempo da Criação (de 1 de setembro a 4 de outubro), dias dedicados ao ambiente ou sempre que se quiser rezar de forma especial pelo planeta.
Rezar e cuidar: duas faces da mesma fé
Com esta nova Missa, a Igreja lembra que cuidar do planeta também é um ato de fé. É rezar, agradecer, proteger, agir. É reconhecer que a terra é um dom de Deus que nos foi confiado — e que devemos guardar com amor, justiça e responsabilidade.


