Sustentix

O Verão quente do têxtil português: crise ou última oportunidade?

O verão quente de 2025 não foi apenas uma questão de temperaturas altas que se viveram no ultimo mês de agosto. No Vale do Ave, o ‘coração’ da indústria têxtil portuguesa, o calor chegou também às fábricas, às contas e ao nervosismo dos empresários e trabalhadores.

“Ambiente e Saúde: Um Compromisso Inadiável”

Sabia que quase metade da população mundial — cerca de 3,6 mil milhões de pessoas — vive em zonas altamente vulneráveis às alterações climáticas? E que mais de 6 milhões de pessoas morrem todos os anos devido à poluição do ar?

Portugal ardente: até quando vamos fingir que isto é normal?

Alerto já que não sou especialista em incêndios. E que também não escrevo para capitalizar “likes” ou visibilidade fácil nas redes sociais. E muito menos de me aproveitar da desgraça alheia. Escrevo apenas como português cansado e triste.

Gota a gota, também se constrói o futuro

O setor da construção, altamente dependente de recursos naturais, enfrenta hoje um dos seus maiores desafios: gerir a água como um bem escasso, e não como um dado adquirido, sempre disponível para ser utilizado

Policrise e sustentabilidade: duas palavras que não combinam

Há quem considere 2025 a “era da policrise”, um fenómeno que representa um desafio significativo e urgente para a comunidade global. Se nunca ouviste falar deste conceito, passo a explicar. A palavra policrise resulta da junção de duas palavras: “poli” do grego “polys”(que significa muitos) e “crise” do grego “krísis”, que significa o ponto de inflexão numa situação difícil.Policrise é um termo que tem vindo a ser usado para descrever um conjunto de crises globais económicas, sociais, ambientais e tecnológicas, que, pela sua interconectividade e complexidade, são de difícil resolução, como as que vivemos atualmente: crise climática, perda de biodiversidade, guerras e tensões geopolíticas, instabilidade económica, desigualdades sociais e por aí fora. Este conceito foi primeiramente empregue em 1999, pelos teoristas da complexidade Edgar Morin e Anne Brigitte Kern no livro “Homeland Earth”, e recuperado em 2016 pelo então Presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker.Devido ao fenómeno da globalização e interligação dos sistemas atuais, qualquer crise que aconteça numa determinada região rapidamente se alastra com repercursões a nível global, elevando o risco de detiorização dos sistemas e degradando, consequentemente, as condições da vida humana (ex.: quando a Rússia invadiu a Ucrânia houve uma disrupção dos sistemas alimentares e energéticos globais, um aumento do investimento em armamento, exacerbamento de clivagens ideológicas internas em muitos países, entre outras consequências).Ora, um cenário de policrise tem imensas implicações nos esforços e agenda da sustentabilidade, dado que, em vez de focarmos a nossa atenção numa resposta conjunta às crises que colocam em causa a vida no nosso planeta (incluindo a nossa), estamos dispersos e fragmentados por crises mais “imediatas” como a instabilidade geopolítica e as ameaças de guerra. Mas que implicação terá esta policrise para a sustentabilidade em 2025?Primeiro, o aumento da pressão sobre os ecossistemas, recursos e cadeias de abastecimento. Por exemplo, a combinação das alterações climáticas e da instabilidade geopolítica (nomeadamente conflitos que afetam o abastecimento de energia) pode levar à escassez de materiais críticos, essenciais para a promoção da energia limpa e avanços tecnológicos, intensificação a competição por recursos, o que dificulta a implementação de estratégias de sustentabilidade a longo-prazo pelas empresas e governos.Segundo, o aumento da vulnerabilidade face às alterações climáticas. Dado que as alterações climáticas são uma das causas centrais da policrise e tendo em conta que os eventos climáticos e fenómenos meteorológicos extremos estão a aumentar, haverá um maior impacto nos setores da agricultura, gestão de água e planeamento urbano. A necessidade de endereçar problemas imediatos como a insegurança alimentar, a migração e a destruição de infraestruturas (ex.: inundações catastróficas em Espanha), tendem a concentrar os esforços na recuperação e resiliência e não tanto nos objetivos ambientais a longo-prazo.Terceiro, a instabilidade económica resultante da inflação, do colapso financeiro ou da escassez de recursos terá como consequência a redução do financiamento das iniciativas de sustentabilidade. Por exemplo, a dependência de combustíveis fósseis tem tendência a aumentar quando há crises económicas, o que pode levar a recuos no processo de transição energética.Quarto, as tensões geopolíticas causam disrupções na cadeia de abastecimento, tornando mais difícil o acesso a materiais, tecnologias e infraestruturas sustentáveis. Nestes casos, os países tendem a priorizar asegurança e interesses económicos nacionais em detrimento de acordos de cooperação internacional, como é o caso do Acordo de Paris.Quinto, a perda de biodiversidade aumenta em situações de policrise devido à degradação do ambiente provocado pelas alterações climáticas, uso insustentável dos solos, poluição, deflorestação, entre outros, afetando a produção alimentar global, os recursos hídricos e até a questão regulamentar. À medida que a biodiversidade diminui, torna-se ainda mais difícil implementar práticas regenerativas e de conservação.Sexto, as desigualdades sociais e a justiça climática são exacerbadas neste cenário e o acesso a soluções sustentáveis (ex.: energia limpa) será ainda mais difícil para as populações vulneráveis, o que transforma o conceito de transição justa numa ideia quase utópica. Contudo, apesar de ser um desafio altamente complexo, uma policrise pode também criar oportunidades para repensarmos e alterarmos os sistemas tradicionais, tornando-os mais resilientes e adaptados. A questão que se coloca é a seguinte: será desta que colocamos mãos à obra? Fontes:https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364032124004398https://polycrisis.org/lessons/what-does-the-term-polycrisis-mean/https://www.weforum.org/stories/2023/01/polycrisis-global-risks-report-cost-of-living/https://www.researchgate.net/publication/375603652_Evolution_of_the_polycrisis_Anthropocene_traps_that_challenge_global_sustainability

Inovação Sustentável!

O esgotamento dos recursos naturais do planeta e o crescimento real da população mundial e do PIB mundial, são indicadores que expõem a urgência da sustentabilidade. Neste âmbito, as Iniciativas de sustentabilidade a operacionalizar necessitam também elas de ser diferenciadores, geradoras de valor e com impacto nas pessoas, nas organizações e na sociedade. A entrada em vigor, à escala global, de um número crescente de iniciativas que incidem sobre a economia circular demonstra a enorme relevância desta temática.  O caminho para uma economia circular não é do tipo “onesizefitsall”, dada a heterogeneidade dos negócios, mas existe um conjunto ações, que podem ser despoletadas por diferentes partes interessadas, onde temos as empresas, a sociedade e o setor público num modelo claro de Triple Helice. Podemos apostar nas parcerias, eco-design, certificações, atividades/projetos de I&D, desenvolvimento de competências, e muito mais! Apesar de a sustentabilidade não deixar de ser muitas vezes uma obrigação para as empresas, deve sobretudo ser encarada como uma oportunidade de mercado e como um fator dinâmico de competitividade. A Sustentabilidade e a Inovação são motores de crescimento da competitividade empresarial, assistindo-se progressivamente à aliança e dependência entre ambas. A aposta na inovaçãoé um vetor de desenvolvimento sustentável de qualquer organização, num cenário marcado pela emergência de desafios constantes e novas exigências dos clientes, dos fornecedores e, sobretudo dos mercados e da evolução societária.   Não existe uma definição precisa de inovação sustentável, especialmente porque se colocam em ligação dois conceitos complexos e multidisciplinares. Mas sem dúvida que o mais importe, é a ligação e complementaridade que as iniciativas de Inovação Sustentável podem representar no âmbito da sua operacionalização. O caminho para a Inovação Sustentável ainda atravessa dificuldades ao nível dos requisitos tecnológicos, sociais e de mudança de mindset necessários. O ser humano, não é “adepto” das mudanças, pelo facto de implicar na maior parte das situações, a saída da nossa zona de conforto. Quando nos referimos a Inovação Sustentável, evidenciamos três pilares relevantes: ambiental, social, económico. É hoje atualmente claro, que as empresas que se preocupam com a sustentabilidade são mais competitivas do que os seus concorrentes, conseguem atrair e reter trabalhadores mais talentosos, encontrando-se orientadas para mais e melhor inovação, criando uma cultura e uma dinâmica de sustentabilidade relevante. Através da inovação sustentável, as empresas podem desenvolver e disponibilizar novos produtos ou serviços, que contribuam diretamente para alcançar a sustentabilidade. No caminho para a sustentabilidade, um dos desafios principais pode passar por desenvolver, ou até mesmo redesenhar, a oferta da organização para a tornar mais amiga do ambiente. Para tal, são necessárias competências que permitam avaliar a oferta atual da organização e perceber que produtos ou serviços estão a ser oferecidos que possam ser mais ou menos sustentáveis em termos ambientais. É, no entanto, de ter em consideração que tudo isto é possível e dinamizador da competitividade, se a sustentabilidade na inovação organizacional for considerada uma necessidade e condição básica para o sucesso (no médio/longo prazo), sendo um processo evolutivo, criativo e sistémico, que fomentará toda uma cultura empresarial, envolvendo todas as pessoas e demais partes interessadas.

O que queremos sustentar?

A pergunta levantada por Jessica Groopman — “What do you want to sustain?” — marcou-me profundamente desde que a ouvi no passado mês de Outubro. Uma pergunta profunda que merece ser cuidadosamente explorada

Sustentix, o novo parceiro do Sapo que o deixa mais verde

Hoje é um dia feliz. O Sustentix nasceu. Um site feito de raiz por mim. Loucura? Talvez, mas também a prova de que o empreendedorismo e a capacidade de criar não tem idade. É o terceiro projeto editorial que lanço sozinha

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